Interação medicamentosa e cavidade oral: o que o dentista precisa saber sobre seus remédios

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Muitos pacientes chegam ao consultório odontológico focados apenas na queixa principal, seja uma dor aguda ou o desejo de um procedimento estético, e acabam negligenciando o histórico medicamentoso. Entretanto, a lista de fármacos que você utiliza no dia a dia possui correlações diretas com a resposta dos tecidos periodontais, a cicatrização óssea e até mesmo o sucesso de procedimentos cirúrgicos complexos, como a instalação de implantes. Ignorar essa relação é um risco clínico que nenhum profissional pode correr.

O impacto de anti-hipertensivos e imunossupressores na gengiva Algumas classes de medicamentos frequentemente prescritas para controle da pressão arterial, como os bloqueadores dos canais de cálcio (exemplo: nifedipino), possuem como efeito colateral conhecido a hiperplasia gengival medicamentosa. Nesses casos, o tecido gengival apresenta um crescimento exagerado, criando áreas de difícil higienização que favorecem o acúmulo de placa bacteriana e o desenvolvimento de gengivite severa. O paciente, muitas vezes, acredita que se trata de uma inflamação por má escovação, quando, na verdade, a etiologia é sistêmica.

Da mesma forma, o uso de ciclosporina ou outros imunossupressores altera drasticamente o turnover celular da mucosa oral. O manejo clínico exige um protocolo rigoroso de higiene oral, muitas vezes associado a limpezas profissionais mais frequentes, para evitar que essa hiperplasia evolua para quadros periodontais avançados. O dentista precisa estar atento não apenas para tratar o sintoma, mas para orientar o paciente a nunca interromper a medicação sistêmica sem consultar o médico prescritor, buscando o ajuste de dose ou a troca do fármaco.